Pânico 4

Posted by Joice - -


“Hello Sidney! Do you like scary movies?”

Quem foi adolescente nos anos 90 sabe exatamente o que essa frase significou. Os filmes de terror nos anos 90 estavam tão em baixa que nós na época alugávamos filmes antigos como Poltergeist e O Exorcista, pois ficava difícil assistir bombas como A Hora do Pesadelo 364.947.938 e outras seqüência chatas e maçantes. As fórmulas eram tão repetitivas e cheias de clichês que os filmes se tornavam previsíveis.

Até que Kevin Williamson um até então desconhecido roteirista fã de Halloween conversando com seu amigo no telefone ouviu sons estranhos no andar de cima de casa. Ele foi averiguar e notou uma janela aberta, que segundo ele deveria estar fechada. O amigo do outro lado da linha, começou a tirar sarro da cara dele sussurrando coisas como “matar, matar, matar, matar ….” “Jason vem te pegar…” “Já viu Halloween? Freddy vem atrás de você….” e então corrigindo o amigo explicando que Freddy era de A Hora do Pesadelo e o assassino de Halloween era Mike Myers, ele teve a brilhante idéia de escrever um roteiro.

Scary Movie foi então aprovado pela New Line Cinema e entregue na mão de Wes Craven. Um roteiro sobre um serial killer que mata adolescentes numa pequena cidade americana, cujo assassino e os motivos são revelados no final e não só recheado de clichês, mas que tira vantagem de todos os clichês típicos de filmes de terror. Pra quem não sabe, Wes Craven foi o diretor de nada menos que A Hora do Pesadelo.

Hello Sidney!
Pânico (ou Scream, nome definido para o filme) estreou em 1996 e foi um sucesso de bilheteria e crítica. Arrecadou US$ 104 milhões. Aquela vontade de ir ao cinema assistir um filme de terror que estava adormecida nas pessoas voltou com força total. A grande sagacidade de Pânico se dá ao fato de manter o mistério sobre quem é o assassino, aonde todos são suspeitos, e o óbvio às vezes, pode ser o certo. Outra coisa que ajudou a fazer sucesso foi o fato dos personagens gostarem de filmes de terror, e mediante os assassinatos ocorridos, começarem a brincar com os clichês criando regras sobre “como sobreviver aos filmes de terror”. Maior identificação com o público impossível, já que éramos os mesmos adolescentes que estávamos cansados de saber o que ia acontecer de tanto ver os filmes antigos e suas intermináveis seqüências.

Muita gente não gosta de Pânico, principalmente por usar demais da técnica de “susto fácil” e não ter o tipo de terror mais psicológico, sendo apenas para entretenimento. Mas analisando o cenário na época em que Pânico foi lançado, não podemos negar a importância que o filme teve para os amantes dos filmes de terror. Foi um novo fôlego. Deixaram de usar seqüências de filmes saturados os anos 80 e fizeram algo novo. Como nada se cria tudo se copia, rapidamente foram lançados filmes inspirados em Pânico como Eu Sei O que Vocês Fizeram No Verão Passado, Prova Final, Halloween H2o (todos de Kevin Williamson), Lenda Urbana, 13 Fantasmas e outros. Lógico que mais uma vez a fórmula se esgotou rapidamente, enquanto Pânico foi um filme inovador, com suas cópias tudo voltou a ficar repetitivo. Pânico teve 2 seqüências  fechando assim uma trilogia e o ciclo de filmes desse estilo. No total, trilogia lucrou quase US$ 507 milhões, segundo o site Box Office Mojo.

Estou fazendo esse retrocesso para poder chegar aonde queria: Pânico 4.

Quando li em 2005 sobre rumores de se fazer um Pânico 4 fiquei apreensiva. Em 2008 foi oficial. A Weinstein Company junto com o canal ShowTime iriam lançar alguns filmes, entre eles o remake do clássico de David Cronenberg, Scanners (nãoooo!!!) e Piranha 3D (holly shit!) e Pânico 4 (fuuuuu).  Pior que nenhum ator do original estava envolvido no projeto. A gente logo pensa que vão usar o nome pra fazer um filme nada haver com a história né? Felizmente o elenco original foi confirmado, e depois de muitas fotos, posters e trailers, em 15 de abril de 2011 o suspense finalmente chegou ao fim. Fui ao cinema conferir o que eles fizeram com a minha amada trilogia. 

Dewey você é um fanfarrão!
O filme se passa no aniversário de 15 anos dos assassinatos de Woodsboro, aonde a sobrevivente Sidney Prescott (Neve Campbell) retorna a sua cidade natal para lançar um livro de auto-ajuda, aonde conta como conseguiu sobreviver todos os seus traumas. Stab, filme sobre os tais assassinatos baseado no livro escrito pela inescrupulosa Gale (Courtney Cox) ganhou seqüências intermináveis e virou motivo de piada entre os jovens da nova geração (assim como A Hora do Pesadelo, Sexta Feira 13 e outros). Gale está casada com Dewey (David Arquette), atua indiretamente como repórter e apesar do livro Assassinatos em Woodsboro ser um best seller, ela tem dificuldades em voltar a escrever. Dewey por sua vez agora é xerife da cidade
.
Apesar do começo desnecessário (não vou citar para não gerar spoiler), logo o telefone toca e começa a primeira cena de morte.  E “todos comemora”! 

Daí descobrimos que Sidney tem uma prima, Jill Roberts (Emma Roberts) cuja amiga Kirby Reed (Hayden Panettiere) que adora filmes de terror se mostra fascinada com a pessoa que protagonizou na vida real seu filme favorito: Stab, enquanto a outra amiga Olivia Morris (Marielle Jaffe) não quer nem saber sobre o assunto, já que pra ela, Sidney é um “anjo da morte” aonde todos que chegam perto acaba morrendo.

Jill possui um estranho ex-namorado, Trevor Sheldon (Nico Tortorella) que a persegue tentando reatar o namoro, e nos deixa na dúvida se ele seria um Billy Loomis ou Derek Feldman, afinal, todos são suspeitos!

Conforme os assassinatos vão ocorrendo, Sidney tenta proteger a família e consolar sua prima que está passando pelo mesmo sofrimento que ela passou anos atrás.

"He's behind you!"
Enquanto isso, Robbie Mercer (Erik Knudsen) e Charlie Walker (Rory Culkin, irmão de Macaulay Culkin) presidentes de um clube de cinema, estão produzindo um festival anual chamado Stab-a-Thon, que seria uma maratona onde passariam todos os filmes da franquia Stab. Como não poderia deixar de ser, os dois especialistas em cinema, brincam com os novos clichês e as novas regras de filmes de terror. Brincam mesmo, pois o tempo todo, os clichês são citados, porém nem sempre são seguidos.

Para mostrar que o filme é atual Smartphones são usados a todo o momento, seja para enviar sms, atualizar o Facebook ou receber ligações do assassino. O próprio assassino deixa mensagens no Facebook! Até aplicativo que engrossa a voz como do original Ghostface é usado para assustar os amigos. Mas não que seja ruim. Afinal, em 1996 a internet não era tão popular, e era mais fácil passar trotes. Hoje em dia as pessoas são mais espertas, prevenidas, e as informações correm a velocidade da luz. Retrato fiel da nova geração.

Destaque para a cena engraçada dos dois policiais Perkins (o engraçadíssimo Anthony Anderson) e Hoss (Adam Brody) que discutem a importância dos policiais no cinema.

Para a galera acostumada a ver zumbis maratonistas, albergues da vida, jogos mortais, atividades paranormais e etc. um serial killer furreca matando com uma faca pode parecer sem graça. De todos os filmes da série, esse foi sem dúvida o mais gore. Porém para a nova geração acostumada a ver as cenas de tortura de Jogos Mortais, pode parecer ainda pouco. Mas tudo bem gente. Pânico 4 não é um filme para colocar medo. É um filme para divertir. E justamente por isso, acho que Wes Craven e Kevin Williamson conseguiram fazer um filme divertido, dinâmico e bem produzido ou seja no ponto. Acho que o filme agradará até a nova geração, por todo o mito que Pânico foi nos anos 90, por todas as surpresas (algumas nem tanto, pelo menos para mim) geradas, e por conseguir fazer um filme digno.

Fiquei extremamente insatisfeita com o final forçado de Pânico 3. Aliás, foi um filme totalmente desnecessário. Vendo Pânico 4, vejo que eles poderiam ter esperado 13 anos para fazer um terceiro filme. Mas pelo menos esse lavou minha alma.

TRAILER:



Gênero: Terror
Origem: EUA
Estréia:  EUA-Brasil - 15 de abril de 2011
Estúdio: Weinstein Co.
Direção: Wes Craven
Roteiro: Kevin Williamson
Produção:  Bob Weinstein, Harvey Weinstein

ELENCO:
Neve Campbell (Sidney Prescott)
Courteney Cox (Gale Weathers)
David Arquette (Xerife 'Dewey' Riley)
Emma Roberts (Jill Kessler)
 Rory Culkin (Charlie Walker)
Hayden Panettiere (Kirby Reed)
Anthony Anderson (Deputy Perkins)

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